Em 2008, ao fim de uma longa fase de bastante confusão e escuridão, Britney começa a gravar o seu sexto álbum de estúdio de forma tímida, segundo seu empresário de longa data, Larry Rudolph, começou como algo terapêutico mais do que business. Eis que após dezenas de músicas gravadas, e outras dezenas cortadas, nasce o “Circus”!
O titulo do álbum faz referência ao circo em que a vida de Britney se tornou, e de forma bastante sutil nos apresenta a trajetória de Britney como artista e mulher em um material bastante rico e recheado de nuances.
Britney cresceu perante os olhos do grande público. Cada movimento seu foi visto e revisto. As pessoas vibravam por ela, torciam pra ela, torciam contra ela. Ela vinha de um período em que literalmente andou na corda bamba, e naquela década o público e a mídia haviam a transformado em uma verdadeira atração de circense. É aí que Britney finalmente sintetizou todos esses anos em um material que não poderia representar melhor os seus 10 anos de carreira!
Womanizer
O material começa com um bombardeio de sirenes e Britney logo começa a cantar sobre um rapaz que a engana. Curiosamente, durante a canção, ela deixa bastante óbvio estar se referindo a 3 pessoas diferentes:
“Superstar
Where you from, how’s it going?
I know you
Gotta clue, what you’re doing?
You can play brand new to all the other chicks out here
But I know what you are, what you are, baby”
O seu relacionamento com Justin Timberlake, segundo a própria, foi parte da magnitude que ela se tornou. Justin sempre teve fama de bom moço e Britney saiu do relacionamento com uma culpa de traição que a devastou, e em seguida, por meio de músicas conhecidas da fan base, deixou no ar que nem tudo eram flores e que ele teve sua parcela de culpa.
Nada mais explícito do que essa estrofe:
“Daddy-O
You got the swagger of champions
So bad for you
Just can’t find the right companion
I guess when you have one too many, makes it hard
It could be easy, who you are, that’s who you are baby”
É fácil relacionar que aqui ela se refere ao ex-marido, pais dos seus dois filhos. Conhecido por sua fama de badvagabundoboy, Kevin Federline teve tudo ao se casar com ela e esse tudo destruiu o relacionamento deles!
“Lollipop
Must mistake me as a sucker
To think that I
Would be a victim not another
Say it, play it how you wanna, but no way
I’m ever gonna fall for you, never you, baby”
Aqui é difícil apostar se ela aponta Adnan ou o próprio Sam Lufti. Por um lado, existem alguns rumores de que ela chamava o Adnan por esse apelido, por outro lado ela foi uma vítima de Sam que a manipulou de uma maneira que só poderíamos assistir em um filme! Ambos fazem parte de um período negro na vida dela e “vítima” não poderia ter um significado melhor nessa estrofe.
Womanizer conta com um refrão acusador! Ela não dá espaço para os conquistadores se defenderem. É como se ela estivesse com o dedo apontado para a pessoa que a machucou e a acusasse, acusasse e acusasse como se uma venda tivesse sido tirada dos seus olhos.
Circus
É Britney cantando sobre o sentimento de ser uma artista! A música não poderia ser mais pessoal e a produção BRILHA.
O pre-chorus traz algo de inspirador e de serenidade. Pouco antes do refrão começar é como se luzes acendessem e os holofotes apontassem pra ela. É mais que a música tema do álbum. É a música que define sua trajetória como artista.
O conceito de Circo é extremamente trabalhado na produção dessa canção.
“I’m like the ringleader
I call the shots (call the shots)
I’m like a firecracker
I make it hot
When I put on a show”
“I feel the adrenaline moving through my veins
Spot light on me and I’m ready to break
I’m like a performer
The dance floor is my stage”
Ela não poderia ter se auto representado melhor do que como uma Ringleader! Toda a questão de ser uma performer, uma artista visual. Está tudo aqui!
Out From Under
Não apreciada por muitos fãs, é uma grande canção, com uma grande letra que representa o fim de um casamento conturbado do qual ela entrou de cabeça! Britney, no ‘For The Record’, diz que casou pelos motivos errados, pela idéia ao redor, e nada mais explícito que os seguintes versos:
“I don’t wanna dream about
All the things that never were
And maybe I can live without
When I’m out from under
I don’t wanna feel the pain
What good would it do me now?
I’ll get it all figured out
When I’m out from under”
As cordas dão a melancolia que o tema pede. Britney canta como um tom que oscila entre a aceitação, a lembrança e o pesar. Ela ainda estava machucada, e isso é bastante claro já que com o Kevin ela construiu uma família, família essa que sempre foi o maior dos seus desejos. Fica difícil para os fãs do “team insatisfação” pedirem algo mais pessoal do que isso!
Kill The Lights
Britney, já de cara, é apresentada como a rainha da pop music! Também pudera, com todos os escândalos vividos, era fácil se esquecer de sua influência impar na indústria. Larry e a Rolling Stone comentaram que esse seria o álbum que confirmaria o seu status de lendária. Bem, digamos que foi dito e feito!
Com uma letra madura, forte e direta, ela canta de forma provocativa e imponente para os seus acusadores que ultrapassam a barreira da consciência para denegri-la a qualquer custo:
“You don’t like me, I don’t like you, it don’t matter
Only difference you still listen, I don’t have to
In one ear and out the other I don’t need ya
Your words don’t stick, I ain’t perfect but you ain’t either
If you’re feeling froggy leap
I ain’t even losin’ sleep
There’s more to me than what you see
You wouldn’t like me when I’m angry”
Se em “Piece Of Me” ela soava mais irônica do que realmente nervosa, aqui a mesa vira e é quase como se ela estivesse caçando, sendo a ironia uma parte menor da interpretação.
“All the flashing, Trying to cash in, hurts my eyes
All the poses, out of focus, I despise
F me over, your exposure, not the best
If that was bad, watch how I release this stress”
A produção mais uma vez brilha com uma atmosfera que nos transporta para dentro da música, sendo o refrão o clímax dessa atmosfera!
Shattered Glass
Começa com o som de estilhaços se rejuntando, como se uma história estivesse prestes a ser contada a partir do resultado obtido. Os cacos se juntam para que a história seja revista.
“Did I wake you?
Were you sleeping?
Were you still in the bed?
Or is a nightmare keeping you up instead?
Oh baby, are you feeling guilty for what you did?
If you think you’re hurting you ain’t seen nothing yet”
Todos sabem a quão deprimida e furiosa Britney ficou com as baladas do marido enquanto ela tentava voltar ao trabalho com duas crianças para cuidar, e uma cobrança crescente nas costas. Ele de fato não tinha visto nada do que viria:
Was it really worth it?
Was she everything
That you were lookin’ for?
Feel like a man
I hope you know that
You can’t come back
‘Cause all we had
Is broken like shattered glass
Segundo a imprensa internacional, Britney pediu o divórcio por mensagem de texto e alegou divergências irreconciliáveis! Para bom entendedor, meia palavra basta.
“You’re gonna see me in your dreams tonight
My face is gonna haunt you all the time
I promise that you gon’ want me back
When your world falls apart like shattered glass”
Se relacionar com a Britney deve ser o sonho de muitos homens e mulheres, romper com ela deve ser o pesadelo pelo qual essas pessoas não esperam. Ela vai estar na sua cara durante todo o tempo. Digamos que seria meio impossível superá-la com sua imagem por toda a parte.
O vidro é novamente estilhaçado e a canção finaliza da mesma forma “visual” em que começou. Capítulo fechado – Página virada!
If U Seek Amy
Com uma letra divertida e um vocal que nos remete ao personagem encarnado por Britney de “Lolita”, cantando de modo extremamente irônico, “If U Seek Amy” traz um trocadilho infame no refrão. A música aqui não é sobre seu lado artístico, é sobre seu status de ícone!
“Love me, hate me, can’t you see what I see?
All of the boys and all of the girls are begging to if u seek amy
Love me, hate me, say what you want about me
All of the boys and all of the girls are begging to if u seek amy”
“If U Seek Amy” em um circo, caberia perfeitamente em uma parte “Clown”. É divertida, mas tem seu lado safado, irônico e cômico.
Unusual You
Na realidade, uma canção sobre uma doce surpresa depois das frustrações e dissabores da vida. Jason finalmente começou a dar mais sinais de presença na vida dela do que estávamos acostumados a ver durante a pré era.
“Nothin’ about you is typical
Nothin’ about you’s predictable
You got me all twisted and confused
(It’s so new)
Up ‘til now, I thought I knew love
Nothin’ to lose and it’s damaged ‘cause
Pattern to fall as quick as I do”
Britney finalmente se envolveu com um homem feito e colheu os frutos disso. Ela sempre disse em entrevistas que buscava segurança. Ao menos, pelo que vemos, isso é o que ele dá.
“Been so many things when I was someone else
Boxer in the ring, trying to defend myself
And the private eye to see what’s going on
(That’s long gone)
When I’m with you, I can just be myself
You’re always where you say you will be
Shocking cuz I never knew love like this
Could exist”
É uma redenção e a produção da música é tão atmosférica como quase todas as faixas do álbum. É como se você de fato estivesse na presença ou no espaço de algo celestial. O piano é a cereja do bolo aqui!
O vocal oscila entre o melancólico e aquela emoção que todos sentimos ao acreditarmos que finalmente encontramos alguém para passar o resto da vida!
Blur
Uma das músicas com mais elementos novos para a Britney em todo o Circus! Começa com uma batida que remete a pensamento e consciência, e porque não reflexão!? A composição é sobre o dia posterior ao caos. Ela vinha de uma era assustadoramente caótica, “Blur” vem para mostrar o que isso foi pra ela: Um “borrão”!
No “For The Record” ela mostra sinais de confusão ao falar sobre aquele momento. A maneira como ela canta é muito especial e faz toda a diferença na interpretação da canção. Existem muitas músicas sobre esse tema, mas poucas tocam e fazem a diferença! É possível visualizá-la vivendo cada verso cantado por tudo o que acompanhamos, como também nos vermos em situação semelhante.
“Turn the lights out
This s***’s way too fuckin’ bright
Why not poke my eyes out
If you wanna mess with my eyesight
Just let me get my head right
Where the hell am I?
Who are you? What’d we do last night?”
“Can’t remember what I did last night
Maybe I shouldn’t have given in
But I just couldn’t fight
Hope I didn’t but I think I might have
Everything, everything is still a blur”
Mmm Papi
Uma das músicas mais odiadas pelos fãs em geral! Aqui Britney volta a encarnar a Lolita com uma produção bastante experimental e curiosa. Durante a música, é possível em alguns momentos notar que ela se refere a alguém que vai lá para salvá-la e tirá-la de situações onde ela não queira estar.
Não é difícil identificar as “escolta Britney” aqui, vários nomes caberiam na canção em determinados momentos; desde o seu próprio pai, ao Larry, Adam ou mesmo Jason. A música não tem pretensão nenhuma. Percebe-se a diversão no próprio modo como a Britney a canta. Contudo não deixa de ser curioso ela cantar sobre alguém que poderá salva-la quando ela enlouquecer e as coisas ficarem feias justamente naquele momento.
Pra mim, um dos tesouros do Circus. Britney tem produções brilhantes, mas em álbuns de estúdio poucas músicas apresentam-na se divertindo tanto por “cantar o que está cantando”.
Mannequin
Se alguns fãs reclamam sobre uma possível escassez de comentários sobre a conservadoria em que Britney entrou durante a era Circus, Mannequin mostra a coisa tão transparente como água corrente. Basta prestar um pouquinho de atenção para ver o que corre por debaixo da produção dura da música.
“I cannot help myself, I’m just doing what I do
C’mon, so do anything that I want, so thank you
I like it and I do what I like
When you do what I like and you like it”
“If you wanna just scream (scream your lungs out)
If you wanna just cry (cry your eyes out)
I?mma do my thing (that’s what I’m about)
You can cry your eyes out of your head
You told me you’re lonly
Can’t hear you, can’t feel you
I’m frozen, I’m poisoned
There’s no way (you move me)
Watch me, dress me
Can’t impress me
I’m not changing
I Just”
Aqui ela mostra toda a sua frustração, a mesma apresentada em lágrimas no “For The Record” quando ela ainda estava tentando absorver tudo!
“My face’s like a mannequin
My face’s like a mannequin
My face’s like a mannequin
My face’s like a mannequin”
“É melhor não sentir NADA do que sentir algo de maravilhoso e isso seja tirado de você” – Britney Spears – 2008 (Não exatamente isso, mas a idéia foi essa). Bem, se isso não é escancarar tudo, eu não sei mais o que é! Mannequin conta com a composição de Britney, tudo se refere a um único tema em especifico – Conservadoria. A música fora desse ambiente perde todo o sentido!
Lace and Leather
Aqui Britney canta sobre sua feminilidade e sua sensualidade! Ela é e sempre foi uma “Femme Fatale”, e “Lace and Leather” define esse termo de forma madura com uma produção impecável, que traz um baixo de arrepiar até o mais assíduo rockeiro!
“French finger tips, red lips
Bitch is dangerous
Cotton candy kiss
Can’t wait for my sugar rush”
Ela mais uma vez canta sobre sua arte de realizar uma performance:
“Baby, take a seat, eyes on me, this is my show
Your one and only pleasure
All decked in lace and leather
Fantasy, courtesy of me, baby, let’s go
Watch me apply the pressure
All decked in lace and leather”
É Britney por Britney e nós amamos isso, principalmente por ela saber exatamente o que faz e como é vista!
My Baby
É a redenção de uma mãe sobre seu bebê! Mostre pra sua mãe e diga se no mínimo ela não vai amar a letra. A minha quase chorou! É simples, é o material orgânico que alguns fãs pedem incessantemente sem prestar atenção sequer no que ouvem:
“Tiny hands, yes, that’s you
And all you show, it’s simply true
I smell your breathe, it makes me cry
I wonder how I’ve lived my life”
Porque não uma Britney reconhecendo que precisava de ajuda pelo simples fato de ter dois filhos pra criar, e não poder mais lutar contra o que aconteceu?
“’Cause without you
How did I get through?
All of my days without you?
Now living with you
See everything’s true
My baby, it’s you
My baby, my baby, my baby”
“With no words at all, so tiny and small
In love I fall, so deep, so deep
My precious love, sent from above
My baby boo, God I thank you, God I thank you”
“My Baby” é uma das maiores preciosidades para os fãs que entendem o que essas crianças significam pra ela! A produção se baseia praticamente em uma canção de ninar!
Circus não é um álbum feito as pressas, tão pouco um material sem a alma da Britney como alguns acusam. É o material mais pessoal dela até hoje, seguido do “Britney” (2001).
Ela canta sobre seus bons e maus momentos, interpretando uma Diva do Dance e uma melancólica de coração partido, conforme review da Rolling Stone. O fato de não ser listada em composição não tira seu mérito de intérprete. nem o fato de saber escolher faixas que signifiquem algo. Elvis, Elis, Celine e Sinatra não compunham e são interpretes únicos e preciosos na arte de cantar!
Se o Blackout representou a loucura, a escuridão, o desequilíbrio e a inconseqüência, Circus celebra a redenção, a consciência, a luz e a maturidade!
Todos os álbuns da Britney são repletos de nuances que somente um fã poderia identificar, isso deixa o material dela mais saboroso. Ela nunca coloca nada de forma escancarada, você tem que saber ler nas entrelinhas e ir mais a fundo, sempre é claro se divertindo e na maior parte das vezes dançando!
Todo mundo dançou Womanizer, Circus e IF You Seek Amy na balada, mas poucos ouviram o que ela estava cantando e como estava cantando. Ela te faz dançar suas próprias experiências, experiências essas extremamente humanas que em grande parte podem ser vividas por mim, por você e por todos. Ela canta para nós nossas próprias emoções, mas acrescento que ela coloca em cada uma dessas músicas um pouco de sua vida!